Final de ano: férias, natal, reveillon.

Finalmente, o final do ano. Férias.

Antes de mais nada, eu gostaria de agradecer aos leitores do blog ["Comporte-se"]. Tenho recebido muitos e-mails e scraps no orkut de pessoas comentando as postagens, pedindo mais informações, material e sugerindo temas para discussão.




Assumo que a princípio o blog era mais uma brincadeira, algo para passar o tempo e meio sem identidade. Ele foi tomando forma ao longo deste ano com a ajuda dos leitores. Hoje tornou-se praticamente questão de honra publicar aqui coisas que considero interessantes. Agradeço a todos a atenção e carinho.

Ele completou um ano em novembro, mas em função da correria do semestre acabei não fazendo uma postagem comemorativa. Fica aqui, no entanto, o recado: obrigado a todos vocês. No ano que vem espero poder continuar contando com a participação ativa de todos, para que, só assim, possa melhorar cada vez mais a qualidade das postagens.


Desejo a todos boas festas. Está na hora de descansar, aliviar a tensão acumulada durante o semestre... visitar aquele parente que você só vê no natal, enfim, sair da rotina.

Para mim, agora está na hora de começar a redigir relatório de pesquisa e preparar projeto para o ano que vem. Só depois disso terei descanso de fato: mas vai valer a pena trabalhar tanto para depois passar um mês de férias com minha namorada em Pernambuco! Impossível melhor!!!

Passei na seleção para estágio profissionalizante I. O primeiro passo da reta final do curso. Estou indo para o sétimo semestre, a título de informação.

O estágio é em Psicologia Educacional/Escolar, na abordagem sócio histórica. Embora não seja com Análise do Comportamento, estou muito feliz pois, a sócio histórica, é outra corrente de pensamento que muito me atrai, além de ser a escolar uma das áreas em que tenho maior interesse.

Penso, por outro lado, em continuar minhas pesquisas em Análise do Comportamento, que é onde quero me formar.

No mais, até as próximas postagens.

Abraços.

Um pouco sobre a mente.

 Apresento por meio deste texto uma discussão introdutória a respeito de como a Análise do Comportamento encara dois dos principais conceitos de mente vigentes hoje em dia. O que se vê aqui, no entanto, é apenas uma pincelada no assunto. Existem diversas linhas de pesquisa a respeito do conceito, mas para os objetivos deste texto torna-se desnecessária uma discussão aprofundada delas.

A princípio é preciso que se faça uma distinção entre estes conceitos. São eles: 1) o cérebro em funcionamento; e 2) estrutura metafísica acessível através da interpretação de sonhos, atos falhos, xistes, etc. 


O primeiro conceito é adotado pela neurociência e áreas correlatas. Mente, para estes, corresponde à atividade cerebral. Estudar a mente, neste caso, é investigar como os processos cerebrais ocorrem e se relacionam aos nossos comportamentos, sentimentos, etc.

Existe uma corrente dentro da Neurociência (não toda a neurociência) que defende que são estas atividades cerebrais (mente) que provocam o comportamento. É como se, para que um rapaz dissesse "eu te amo" para sua namorada, dependesse exclusivamente da ocorrência de algum tipo de atividade cerebral; basta o cérebro "mandar" e ele diz, independente de qualquer outra coisa.

Antes de mais nada, é importante deixar claro que, para a Análise do Comportamento, a ocorrência destes processos é condição sine qua non para a emissão de qualquer comportamento - eles, no entanto, não são tomados como causa. Quando um comportamento ocorre em uma situação específica, ele gera algumas consequências no ambiente. São estas consequências, para a Análise do Comportamento, que determinam se ele vai voltar ou não a ocorrer naquela situação específica. Deste modo, os processos cerebrais correspondem à mecânica de como o comportamento ocorre, e não aos motivos pelos quais ele ocorre.

Por exemplo: para que o rapaz diga "eu te amo", ele deve estar em contato com a namorada, que dá a ele atenção, carinho, faz algum comentário agradável, etc. Se ele diz a mesma frase quando em contato com um policial militar na rua, por exemplo, certamente as conseqüências que ela irá gerar no ambiente são bem diferentes. Deste modo, é mais provável que o rapaz diga "eu te amo" na presença da namorada do que na presença do policial.

E os processos cerebrais onde ficam nisso? Bom, é através dos neurônios aferentes que estes estímulos (visuais, auditivos, táteis, etc.) são captados. Através das sinapses são transmitidos pelo organismo e levados até o cérebro que, em função da história de aprendizagem daquele indivíduo, gera outro processo sináptico que estimula as cordas vocais e o namorado diz "eu te amo", caso na presença da namorada. Se houver qualquer interrupção neste processo sináptico o comportamento também se altera - esta interrupção corresponde a uma alteração no organismo que, se alterado, obviamente é alterada também a sua relação com o ambiente.

Todo este processo não faz parte do campo de estudo do Analista do Comportamento, e sim dos neurocientistas. Ele corresponde à mecânica de como o comportamento ocorre (o estímulo é captado pelo neurônio aferente, transmitido via interneurônios, etc., até que a resposta seja emitida).

O Analista do Comportamento vai estudar este estímulo (presença da namorada ou do policial), correspondente ao estímulo antecedente (situação) ao comportamento; estuda também o comportamento (namorado dizer "eu te amo"); e as conseqüências que ele gera no ambiente (atenção, caso seja a namorada; bronca, caso seja o policial); consequências estas que determinam se o comportamento volta ou não a ocorrer na presença daquele estímulo antecedente. O mesmo vale para qualquer outro comportamento, inclusive sentimentos e pensamentos.

Fazendo um paralelo, o papel da sinapse no comportamento equivale ao de um acelerador no arrancar do carro. Sem ela nada aconteceria. É preciso que a sinapse ocorra para que o comportamento ocorra, assim como é preciso que o acelerador opere para que o carro comece a andar. É preciso também, no entanto, que exista alguma condição para que esta sinapse ocorra, assim como é preciso que alguém pise no acelerador para que ele opere.

Investigar e discutir estas condições é o papel do Analista do Comportamento. A quem quiser entender melhor eu indico o livro Conhecer o Behaviorismo - comportamento, cultura e evolução, de William M. Baum, 2006; ed. Artmed. Investigar o que ocorre dentro do organismo, é papel dos neurocientistas.

Deste modo, são áreas complementares: o analista do comportamento não tira a importância do neurocientista e do estudo dos processos cerebrais, e o estudo dos processos cerebrais não tira a importância da análise do comportamento.Um estuda os motivos pelos quais o comportamento ocorre, o outro estuda como ele ocorre.

O segundo conceito de mente a ser discutido é o psicanalítico, aquele que nos remete a uma estrutura metafísica acessível através da interpretação de sonhos, atos falhos, xistes, etc. Existem variações deste conceito, dentro da própria Psicanálise, assim como entre as abordagens mentalistas da Psicologia.

De modo geral, estas abordagens preconizam que esta instância psíquica controla nossos comportamentos – muito embora não se saiba como. Cada uma das abordagens mentalistas trata o conceito de mente à sua maneira; o que, por conseqüência, significa que para cada uma delas a maneira através da qual a mente controla nosso comportamento também é diferente. 

Esta mente nunca foi observada, nunca foi medida, nunca foi demonstrada de maneira nenhuma por ninguém. O que se tem a respeito dela são interpretações – atribuições de significado conforme a história pessoal daquele que interpreta. Ela é inferida a partir da observação direta dos comportamentos, tal qual a vis viva (substância responsável pela vida) já foi inferida pela medicina antiga, ou o flogisto (substância responsável pelo aquecimento e queima dos elementos) pela química.

Do mesmo modo como a Medicina já não precisa da teoria da vis viva para explicar a vida e a química não precisa da teoria flogística para explicar a queima dos elementos, a psicologia também não precisa mais da mente enquanto entidade metafísica ou constructo teórico para explicar o comportamento. Assim como nas demais ciências, o o comportamento passou a ser estudado por meio da descrição de relações funcionais, o que, do mesmo modo, tem permitido diversos avanços e criação de tecnologia para manejo comportamental nos diversos contextos.

Assim como a Teoria da Evolução, no entanto, a teoria do Comportamento sofre resistência. Como dizem os psicólogos sociais, toda idéia que ameaça romper com um padrão ideológico pré-estabelecido irá enfrentar resistência.

Ainda hoje existem pessoas que não dão valor a teoria da evolução das espécies, então o que se pode esperar do modo como as pessoas irão encarar uma teoria muito mais recente do que ela?

Chat/seminário online com o Dr. Epstein - dia 2/12/2009.

Para quem não conhece, o Dr. Epstein trabalhou por muitos anos que B.F. Skinner, o maior precursor do Behaviorismo Radical. Possui diversas obras publicadas junto a Skinner nas quais abordava temas como criatividade, educação, motivação, etc., além de vasta produção sobre a história da Psicologia e metodologia de pesquisa e intervenção.

Ontem o velhinho resolveu ligar sua Web Cam e realizar um chat, estilo seminário online, aberto ao público. Podiam ser feitas perguntas a ele. Muitos brasileiros participaram e tiveram suas perguntas respondidas.

Para outros que, como eu, gostariam de ter participado e não puderam por algum motivo, deixo aqui um link através do qual se pode pelo menos assistir ao seminário.

*Está em inglês e sem legenda o vídeo.

Olhares Teóricos II: Chomsky, Verbal Behavior e outros equívocos sobre a Análise do Comportamento.


 Quem aqui ainda não ouviu falar sobre as famosas críticas do linguísta Chomsky ao livro Verbal Behavior, de Skinner?


Através da publicação de um artigo intitulado  A Review of B. F. Skinner's Verbal Behavior (acesso através do link, em inglês.) o linguísta norte-americano Noam Chomsky teceu severas críticas ao livro Verbal Behavior, de Skinner. Suas críticas, por mais de 10 anos, permaneceram sem resposta e, nenhuma das réplicas feitas, foi escrita por Skinner. Skinner dizia: (1) "em primeiro lugar, eu deveria ter lido a resenha e eu achei o seu tom desagradável. Ela não era uma resenha do meu livro, mas do que Chomsky tomou, erroneamente, por minha posição"; (2) "eu também teria que escrutinar a gramática gerativa, o que não era minha área." (Skinner, citado por Justi e Araújo, 2004). Deste modo, Skinner considerou estas críticas inválidas, por não condizerem com o que de fato é dito pela teoria Behaviorista. 


Alguns anos depois da publicação das críticas, no entanto, começaram a surgir respostas escritas por outros autores Behavioristas. Uma das mais conhecidas é a de MacCorquodale, que em 1970 publicou o artigo On Chomsky Review of Skinner's Verbal Behavior (acesso em inglês), no qual demonstrava os equívocos cometidos por Chomsky em sua crítica. 


No Brasil, além de um breve comentário de Abib (1994), não temos qualquer revisão das críticas de Chomsky ao livro de Skinner (Justi e Araújo, 2004). Um breve resumo destas críticas, no entanto, foi publicado por Justi e Araújo com o título Uma avaliação das críticas de Chomsky ao Verbal Behavior à luz das réplicas Behavioristas (disponível no link em português), discute além das críticas de Chomsky, os motivos pelos quais tanto demorou aparecer a réplica Behaviorista a obra do linguista. Indico a leitura.



Ainda é  (muito) comum hoje em dia que sejam feitas críticas infundadas ao Behaviorismo Radical. De acordo com Maria Ester Rodrigues em seu artigo Behaviorismo, Mitos, Discordância, Conceitos e Preconceitos (2006) elas podem ser oriundas tanto de desconhecimento a respeito da Teoria Comportamental, quanto de Discordâncias Teóricas. Completa: "em relação aos equívocos – considerando como equívocos a crítica desprovida de maior sustentação, ou seja, as críticas
que não resistiriam a um exame mais aprofundado da teoria
" (p.142), que podem ser geradas por 1) desconhecimento da teoria e da prática comportamental (incluindo com relação aos termos técnicos da abordagem) e; 2) confusão entre teorias dos diversos autores e sua história.


Com relação às discordâncias teóricas, em discussão no grupo COMPORT de Análise do Comportamento, chegamos à conclusão de que podemos em alguns casos levar em consideração também uma nova categoria, a má-fé, como no caso das críticas feitas por Jefferson M. Pinto. O autor delas é Doutor em Psicologia Experimental, espera-se que possua um conhecimento acurado em Análise do Comportamento. Mesmo assim, fala diversas mentiras e meias verdades a respeito tanto da prática quanto da teoria em seu artigo (disponível na publicação a seu respeito). Além das discordâncias teóricas entre sua atual linha Psicanalítica e a Análise do Comportamento, creio que caiba má-fé ao falarmos de sua publicação. É difícil pensar que um Doutor em Psicologia Experimental não conheça a teoria Comportamental ao ponto que a publicação sugere.



Até o momento não lí uma crítica sequer que partisse de um psicólogo não Analista do Comportamento que não pecasse em atribuir ou negligenciar características da Análise do Comportamento - isto é, não conheço uma crítica que seja fiel às características da abordagem. Caso alguém conheça, peço que me envie - preciso conhecer. 


A ABPMC vem se ocupando de responder grande parte das críticas infundadas dirigidas a Análise do Comportamento. Dois exemplos recentes que podem ser citados são o caso da Carta Aberta de Luciano Elia (Carta Aberta; Resposta ABPMC), e o pronunciamento do SINDIUPES (Resposta ABPMC) sobre a educação. O pronunciamento, anteriormente disponível no site da SINDIUPES,  foi tirado do ar após a resposta emitida pela ABPMC. É um belo trabalho este realizado pela presidente da ABPMC Marta Hubner, mas existem algumas críticas dirigidas a abordagem que, de tão absurdas, sequer merecem resposta - ou talvez mereçam, caso feitas por algum formador de opinião. 

Outro erro recente cometido por uma instituição de grande porte, está nas questões do ENADE. As três questões (13, 22 e 27) que tratavam sobre o Behaviorismo continham erros, tanto na formulação quanto no gabarito. Agora, era de se esperar que uma prova que tem por objetivo avaliar a qualidade dos cursos (de Psicologia nesse caso) fosse pelo menos elaborada corretamente, não é? Acho que este tipo de erro mostra a péssima qualidade da educação no país. Nem os responsáveis por avaliá-la sabem o que estão avaliando.



Caso seja elaborada uma resposta oficial aos erros do ENADE irei postá-la aqui.

Olhares teóricos: considerações psicanalíticas de um ex-behaviorista.

Como todos sabem, o Behaviorismo Radical é alvo de uma imensa quantidade de críticas - quase todas, no entanto, não condizem com o que a proposta Skinneriana diz de fato.


Há alguns dias um professor meu me passou um texto escrito por um ex-behaviorista radical (hoje é um psicanalista lacaniano), com doutorado em Psicologia Experimental chamado Jefferson M. Pinto (lattes), no qual são discutidas diferenças existentes entre o método Analítico-Comportamental e Psicanalítico, em tese. Na prática, o texto é apenas mais um no qual são feitas críticas incondizentes com o Behaviorismo Radical. O nome do texto é Por que os ratos não falam?, e está publicado no livro Cadernos de Psicologia da UFMG, vol VII.

Escaneei o texto e coloco disponível neste link para quem quiser acessar na íntegra. Destaco, no entanto, alguns dos comentários incondizentes contidos no mesmo com relação ao Behaviorismo Radical. 

"... o procedimento científico está dirigido no sentido de calar-lhes a boca [do sujeito-rato]... é aí que começa a eterna polêmica entre Behaviorismo e Psicanálise. O primeiro impede a fala... a segunda quer que a verdade fale..."

"... ele [Skinner] foi um crítico feroz das amarras teóricas que um sistema hipotético dedutivo impõe ao pesquisador e valorizou o dado causal e a atitude de 'mente aberta do cientista'. A preponderância de um sistema assim implica problemas metodológicos, tais como o das definições operacionais, e não leva em conta a realidade quotidiana do cientista..." 


"E aí aparece a fonte de muitos problemas. A redução [ao empírismo científico] imposta cria uma impossibilidade inerente à própria constituição da ciência: a de estarmos afastados do real." 

 "... o Behaviorismo está imerso no empirismo, baseado na suposição de que a realidade não é construída, mas dada aos aparelhos de sentido, como se o comportamento - objeto de uma ciência - fosse empírico, da ordem do anedótico..."


"... como argumenta Lacan, 'não existe comportamento humano. Pode haver uma atuação (acting out) como resistência a uma elaboração regida pelo processo segundário. O argumento de Lacan consiste no fato de que falar em comportamento humano implica negar o papel do simbólico na constituição do sujeito..."

"... apesar de toda a crítica a um mentalismo que estagnava a psicologia, 'o behaviorismo não produziu nenhuma reviravolta da ética' (Lacan, 1985) nem poderia, já que seus pressupostos são de uma ciência natural..."



"... com este procedimento [científico-behaviorista] passamos a ter certeza do saber produzido, principalmente depois que outros replicaram o experimento e confirmaram ou não nossa certeza. Ou seja, não estamos 'psicóticos' sozinhos. Há um saber que fala por nós e passa a ser um grande Outro capaz de decidir sobre os nossos próximos passos. A certeza buscada é tão absoluta, que dependendo da constituição psíquica... do cientista, ele sofrerá crises imensas, de acordo com o grau de crise que sua ciência estiver atravessando. O sujeito é eliminado e o saber passa a ser certo..."


"O saber fica objetivado, pois a mística, a magia e as interpretações ficam eliminadas. E o sujeito só aparecerá na cadeira de significantes do discurso da ciência enquanto falta. Essa é, portanto, a perda maior de qualquer empreendimento científico"


"... quanto mais 'científica' for minha pesquisa, mais psicotizante será o saber produzido. Essa é uma verdade da qual a ciência nada quer saber. Daí o ideal positivista de criar uma língua formal sem os equívocos que a língua natural possibilita. Desnaturalizar a língua para ganhar em saber e perder na produção da verdade do sujeito... pois é justamente nestes equívocos [evitados pelo Behaviorismo] que vemos a emergência do sujeito"


"... a ciência pode, mesmo, pretender eliminar a psicanálise, mas tudo o que ela elimina acaba retornando como um recalcado."


Como já comentado, obviamente todos estes comentários a respeito da Análise do Comportamento são FALSOS. Eu fico me perguntando como é que um DOUTOR em Psicologia Experimental pela USP comete este tipo de equívoco teórico e epistemológico. A USP, como todos sabem, é um dos melhores centros de formação do país, e quem sabe da América Latina.

Após anos de estrada na Análise do Comportamento, o autor tornou-se um Psicanalista Lacaniano. É uma virada e tanto no modo de pensar.

Penso que tais equívocos cometidos no texto devem-se principalmente (para não falar de má-fé) a divergências teóricas, embora algumas não pareçam de modo algum ser. O que acham? O cara é doutor em Psicologia Experimental, não acredito que seja por desconhecimento.






Criança Birrenta - Contingências de Reforço.

Hoje (dia 5 de novembro de 2009) a aula de AEC foi sobre contingências de reforço. Um dos exemplos citados pela professora foi um vídeo no qual um bebê de aproximadamente 2 anos de idade é filmado chorando e se jogando no chão (dando birra*) em algumas situações; e em outras, andando pela casa e olhando em volta.

Como me propús a enviar o vídeo para a turma, aproveito para fazer um breve comentário dele usando os conceitos que foram discutidos em sala de aula.

Quem quiser assistir o vídeo clique na imagem abaixo. Tente observar em quais situações a criança chora e em quais situações ela começa a andar pela casa e olhar em volta.




E aí, conseguiu identificar as duas situações? Neste vídeo estão muito claras. Repare que a criança só chora quando percebe que o adulto a está observando. Por que isto? Provavelmente na presença de adultos este choro produziu consequências como atenção, cuidado, etc. Estas consequências aumentam a probabilidade de ocorrência do choro na presença do adulto, como mostrado no vídeo. A presença do adulto sinaliza a possibilidade destas consequências (atenção, cuidado, recompensas) serem geradas com o choro (sem o adulto, quem vai dar atenção e cuidados?).

Estas consequências que aumentam a probabilidade de ocorrência do comportamento que as gera, são chamadas reforçadoras. A situação na qual esta consequência pode ser gerada pelo comportamento, é chamada Estímulo Discriminativo.

Como também pode ser notado, quando o adulto não está observando a criança para de chorar. Nesta situação (ninguém observando) não existe a possibilidade da criança ganhar atenção e cuidados. O que podemos concluir? Que o choro da criança ocorre em função de produzir atenção e cuidados por parte do adulto que ela corre atrás para mostrar que está chorando.

A situação onde não há possibilidade do reforçador (neste exemplo a atenção e os cuidados) ser apresentado, é chamada S-delta (estímulo delta).

*Diante do choro de uma criança é necessário que se verifique se ela não está machucada ou correndo algum risco.

Resumão SBP 2009 - Goiânia.

Como muitos sabem, entre os dias 28 e 31 de outubro de 2009 foi realizada em Goiânia a Reunião Anual da Sociedade Brasileira de Psicologia, a qual reuniu profissionais e estudantes de diversas partes do país em discussões sobre muitas das áreas e abordagens da Psicologia. Abaixo um pequeno resumo do que mais me chamou a atenção nesta SBP. 

Para começar, me surpreendí com uma discussão ocorrida na quinta feira, na qual Analistas do Comportamento como Martha Hubner, Silvio Botomé, Maria do Carmo Guedes, e outros profissionais e estudantes de psicologia  promoveram um debate de altíssimo nível a respeito da abordagem comportamental de problemas sociais. A princípio, deveria se tratar de uma mesa redonda com a participação do Todorov, Pedro Humberto Faria e Maria do Carmo Guedes; mas os dois primeiros faltaram e, ao que muitos comentaram, foi melhor do que se tivesse acontecido a mesa redonda de fato.

Tive o privilégio também de assistir uma sessão coordenada excelente, na qual foram discutidos aspectos da Esquizofrenia a partir de uma visão Comportamental, além de trazer dados de pesquisas recentes sobre o tema, as quais demonstram grandes avanços e eficácia comprovada das técnicas comportamentais no tratamento desta psicopatologia. As apresentações que mais me chamaram a atenção foram a de Lorena Fleury, a qual fez Análises Funcionais de diversas cenas de filmes, discutindo sobre variáveis mantenedoras do comportamento de alicinar e delirar; e a de Felipe Epaminondas, na qual o participante discutiu os aspectos das habilidades sociais como possibilidades de intervenção sobre a esquizofrenia.

Na sexta-feira, dia 30, assistí a uma mesa redonda composta por João Claudio Todorov, Lilian Cavalheiro e uma representante de Laércia Abreu Vasconcellos, da UnB, que não pode comparecer. A apresentação que mais me chamou a atenção foi a de Lilian Cavalheiro Rodrigues, a qual teve como tema Aspectos Funcionais, estruturais e de desenvolvimento no estudo do comportamento de crianças com autismo: a integração é o caminho?.  A participante discutiu a possibilidade de conhecimentos oriundos de outras fontes teóricas (fora da AC) contribuírem na abordagem de Transtornos Invasivos do Desenvolvimento, como o autismo, argumentando que, embora topográficas as abordagens, podem dar um norte de por onde se pautar a intervenção.

No sábado, dia 31 pela manhã, assistí um simpósio com o título Procedimentos Alternativos para Estabelecer Relações Condicionais, apresentado por Paula Debert, Marcelo Benvenuti e Eliana Hamasaki. No simpósio, foram discutidas as vantagens do procedimento de Go/ no-go sobre o procedimento de Matching To Sample em programas de intervenção Analítico Comportamentais de ensino de relações condicionais. Foram brevemente apresentados os dois procedimentos e, após isto, fizeram uma exposição de pesquisas comparativas entre ambos - onde, de acordo com o exposto, o procedimento de Go/ no-go tem se mostrado mais eficaz. Eu não conhecia o Go/ no-go, e o simpósio serviu especialmente para fomentar minha curiosidade sobre o método.

Entre os cursos oferecidos, optei pelos Esquizofrenia: intervenções operantes, no qual a professora Ilma Goulart da PUC - GO, fez uma excelente explanação sobre o assunto. No primeiro dia, ela discutiu questões teóricas e diagnósticas com relação à Esquizofrenia. No segundo dia, a discussão foi pautada em cima das pesquisas atuais sobre técnicas de intervenção no comportamento esquizofrênico. O terceiro dia, pautou-se por análise e discussão do filme Uma Mente Brilhante, de o qual conta a história de John Nash.

À tarde, eu assistí o curso Educação: contribuições da Análise do Comportamento ao fazer do professor, no qual a professora Silvia Fornazari, da UEL, discutiu no primeiro dia questões relativas às resistências encontradas pelo Analista do Comportamento em sua atuação no contexto escolar. No segundo dia, a professora discutiu situações comuns à escola e as possibilidades de análise e intervenção que podem ser feitas. No terceiro dia, foram apresentados instrumentos e programas de computador que podem contribuir com o Analista do Comportamento ao intervir junto ao professor nos métodos pedagógicos e comportamentais utilizados dentro de sala de aula.

Na sexta e no sábado apresentei dois painéis: Perspectivas de Vida e Enfrentamento de Doenças em Idosos, e Habilidades Sociais e Inteligência Emocional em Tabagistas, respectivamente. Foram legais as apresentações, e o segundo trabalho, pretendo continuá-lo - com algumas modificações. Será ampliada a amostra, alterado o critério de seleção e o instrumento de avaliação das Habilidades Sociais.

Outra coisa legal, foram as pessoas que conhecí lá. Muita gente inteligente. Me proporcionaram grandes discussões sobre aspectos práticos e teóricos da Análise do Comportamento, além de novas amizades. Conhecí pessoalmente pessoas que há um tempo já converso pela internet, como o Robson Faggiani, autor do site Psicologia e Ciência; o Felipe Epaminondas, autor do blog Psicológico; o Nicolau Quinta, Analista do Comportamento super competente que participa da comunidade de Análise do Comportamento no orkut; a Martha Hubner, o Todorov, Verônica Haydu, Silvio Botomé, entre outros.

Conhecí gente nova também. Não cito nomes para não correr o risco de ser injusto e esquecer de alguém. Só quero agradecer a todos.

Um ultimo detalhe, porém que considero muitíssimo importante, é que no dia 28 (data de início da SBP) completei um ano de namoro. Estou muito feliz por isso. A história deste blog, está diretamente ligada ao início de meu namoro no ano passado e, boa parte de meu crescimento enquanto futuro profissional Analista do Comportamento, e mesmo enquanto pessoa, também devo a minha namorada. Obrigado Hélida: te amo!

E a clínica de Psicologia, como vai? - Apresentação de resultados.


Como prometido em uma postagem anterior eu realizei um levantamento de informações a respeito da vida profissional do Psicólogo Clínico brasileiro com o objetivo de investigar quais são as principais dificuldades enfrentadas no início da atuação profissional, quais as vantagens encontradas por eles logo ao começarem atuar na clínica e após alguma experiência, e se os psicólogos clínicos tem trabalhado também em outras áreas além da clínica - bem como os motivos disto -, além de saber quais são os conselhos dados a nós, graduandos e recém graduados, pelos psicólogos mais experientes.

A idéia desta pesquisa - que não tem por pretensão ser científico-acadêmica -, nasceu de conversas eu eu vinha tendo com alunos de graduação do curso de Psicologia e psicólogos recém-graduados que se interessam pela área clínica. 


Um total de 55 questionários com questões abertas foram distribuídos de forma aleatória probabilística via e-mail e msn para psicólogos clínicos de diversas partes do país; a saber, São Paulo, Rio de Janeiro, Goiás e Minas Gerais. Dos 55 questionários distribuídos, apenas 32 foram respondidos e enviados e volta. A coleta de dados demorou um pouco, por isto a demora em elaborar esta postagem.

 Compilação dos dados:


1 - Tempo de experiência clínica:

O tempo de experiência dos entrevistados varia entre 2 e 9 anos.

2 - Principais dificuldades enfrentadas:
Dos psicólogos que responderam a pesquisa, 50% relatam ter tido dificuldades com a baixa clientela no início de sua vida profissional na clínica; - 9% relatam dificuldades no atendimento de algumas psicopatologias; -19% relatam além de dificuldades no atendimento de algumas psicopatologias, também  relatam dificuldades relativas à baixa clientela; - 13% relatam problemas com inadimplência por parte de seus clientes; - 3% relatam além de inadimplência, dificuldades também com baixa clientela, e; - 6% relatam ter, desde o início, trabalhado em clínicas conhecidas e  não terem enfrentado dificuldades no início da vida clínica (figura 1)







3 - Atuação em áreas complementares:

Grande maioria dos entrevistados atuou ou atua em outras áreas além da clínica.  Na docência, temos um total de 37% dos entrevistados; - na área escolar, um total de 22%; - na área organizacional, um total de 13%, e; entre outras áreas, 9% dos entrevistados.




Entre os motivos dados pelos participantes para atuarem em outras áreas, temos a necessidade de melhores condições financeiras - 72%, e o gosto por estas outras áreas - 28%.





4 - Vantagens e desvantagens encontradas pelo recém-formado ao trabalhar na clínica:

Todos os entrevistados concordaram que não há vantagem em atuar  só na clínica logo ao sair do curso; no entanto, alguns ressaltam que, após algum tempo de experiência, quando se conquista clientes o bastante e reconhecimento profissional, é com certeza uma das áreas mais gratificantes da Psicologia.

5 - Conselhos dados pelos participantes da pesquisa a nós, graduandos e recém-formados:

Os participantes ressaltaram a importância da supervisão de atendimento clínico, especialmente no início, onde podem aparecer casos que, em função da pouca experiência podemos não ter ainda repertório adequado para trabalharmos; enfatizaram também a importância da psicoterapia para o psicólogo clínico; enfatizaram a importância de se pós-graduar; a importância ter tolerância à frutração e não desistir perante as dificuldades; e também o quanto é arriscado uma pessoa desconhecida no mercado profissional e social, sem experiência, sem fontes de encaminhamento, abrir uma clínica logo que sai da faculdade.


Alguns comentários sobre os dados


Imensa maioria dos psicólogos entrevistados - um total de 94% - relata algum tipo de dificuldade no início de sua atuação na clínica; seja ela por aspectos financeiros - 66% -,  decorrentes de inadimplência ou baixa procura pela sua clínica; ou práticos - 28% -, em decorrência da pouca experiência e aparecimento de casos de difícil solução. Esses dados sugerem a necessidade tanto de atuação em outra área além da clínica, pelo menos no início - no que se refere a aspectos financeiros -, quanto de supervisão e pós-graduação, o que mune o recém-formado de mais e melhores artifícios para lidar com as diferentes demandas de sua clínica.

É importante ressaltar que o mau profissional - aquele que não possui conhecimento  e habilidade para atender a demanda que lhe é apresentada - dificilmente irá conquistar clientela e confiança de outros profissionais da saúde, potenciais fontes de encaminhamento e indicação de novos clientes. Por outro lado, quem consegue fazer um trabalho bem feito ganha respeito e reconhecimento por parte dos que são atendidos por ele e de outros profissionais de saúde que o conhecem - daí a necessidade de uma supervisão e uma pós-graduação -, fatores que aumentam a probabilidade do psicólogo fazer um trabalho bem feito.

Um total de 81% dos psicólogos entrevistados diz ter atuado ou atuarem em outras áreas além da clínica. Grande maioria - 72% -, explica isto pela dificuldade em se estabelecer como psicólogo clínico logo ao sair da graduação; dado que é apoiado pelo consenso entre os entrevistados de que não há vantagem nenhuma em se começar na clinica. A situação, porém, não é tão assustadora como parece. Muitos ressaltaram que, após obter estabilidade financeira, a clínica pode ser uma das áreas mais gratificantes da psicologia.

Apenas 6% - os quais começaram trabalhando em clínicas conhecidas e respeitadas -, não relataram dificuldades financeiras ou técnicas. Provavelmente estes, por não terem tido problemas por causa da falta de clientes, tiveram condições de pagar uma supervisão ou pós-graduação mais cedo, o que aumenta a probabilidade de fazerem um trabalho bem feito.

Considerações finais



Algumas das principais limitações do estudo referem-se ao delineamento da amostra, levantamento bibliográfico e questões que deixaram de ser abordadas pelo instrumento utilizado.

A amostra é relativamente pequena, composta por apenas 32 participantes, selecionados de maneira probabilística. Não foi realizado um levantamento bibliográfico, que possibilitaria uma discussão mais segura dos dados comparando-os com pesquisas anteriores. Com relação ao instrumento utilizado, durante a análise dos dados surgiram algumas questões que poderiam ter sido abordadas, mas que poderão ser em uma possível oportunidade futura.

As limitações apontadas de modo algum ferem aos objetivos da pesquisa, mas servem para suscitar a necessidade de desenvolvimento de um estudo mais amplo e cuidadoso; quem sabe, como iniciação científica.

O "enigma do gato mágico" - resposta à questão: como o gato acerta a carta que você escolheu?

Como poderão ver nos comentários da postagem na qual propús o desafio, alguns descobriram com muita facilidade a resposta do enigma - simplesmente através do raciocínio. Outras pessoas - dentre elas estou eu -, tiveram de empregar alguns métodos de observação mais criteriosos, tais como anotar as cartas que foram apresentadas na primeira vez, depois anotar as que foram apresentadas na segunda vez e, então, compará-las. Outras pessoas, por motivos que desconheço, não chegaram a solução. Pode ser que não conseguiram. Pode ser também que sequer tentaram. Quem pode saber? Até que nos digam, só elas.

Eu já conhecia este truque. A primeira vez em que ele me foi apresentado, o personagem era o mágico David Blane. A apresentação das cartas era um pouco mais elaborada, mas isto não vem ao caso no momento. A questão que quero discutir, é:

Por que pessoas diferentes percebem situações semelhantes de maneiras diferentes?

Como descrito no primeiro parágrafo, as reações diante do desafio proposto foram diversas. Algumas pessoas - maioria -, conseguiram solucioná-lo. Outras ficaram no suspense: "o que será que acontece?". Antes de discutir os possíveis motivos de pessoas diferentes reagirem de maneiras diferentes aos slides, explico o que de fato acontece neles:

Na primeira apresentação, as cartas apresentadas são:

1 - Rei de Copas
2 - Valete de Paus
3 - Rei de Espadas
4 - Dama de Ouro
5 - Dama de Paus
6 - Valete de Ouro.

Na segunda apresentação, além de remover uma das 6 cartas, todas as outras também são diferentes. Veja, são elas:

1 - Dama de Copas
2 - Rei de Paus
3 - Valete de Copas
4 - Dama de Espadas
5 - Rei de Ouro.

Veja na imagem (clique para ver ampliada):


Será que os que não conseguiram solucionar o enigma são menos inteligentes do que os que conseguiram? Será que os que tiveram de anotar (ou fotografar) as duas apresentações para só então descobrirem, são menos inteligentes do que os que conseguiram apenas através do raciocínio? Certamente não.

Para começar, o conceito de inteligência é um dos mais mais discutidos em Psicologia. Existem inúmeras teorias - tais como as de Gardner, Piaget, Sternberg, Feuerstein, entre outros - que, embora em alguns aspectos estejam longe de um consenso, concordam com a natureza não concreta e não estável desta; o que implica em possibilidade de mudanças no que chamam de inteligência.

Teorias a parte, quando é que se diz que alguém é inteligente? Geralmente alguém é chamado de inteligente quando consegue lidar de maneira efetiva e, geralmente rápida, com as situações às quais é exposta; resolvendo problemas, se houver, ou obtendo um certo grau de aproveitamento nelas.  Mas na verdade, a idéia de inteligência é circular:

1 - a pessoa é considerada inteligente porque faz (ou pensa, ou imagina) "aquilo";
2 - a pessoa faz (ou pensa, ou imagina) "aquilo" porque é inteligente.


Do mesmo modo que a idéia é problemática por ser circular, também o é porque quem se sai bem em uma determinada situação, não necessariamente irá se sair bem em todas as outras a que se submeter.

Pensando nisso, ao invés de dizermos que o método através do qual os participantes resolveram o enigma é fruto de uma função mental escondida dentro de nós, podemos dizer que é uma habilidade desenvolvida ao longo da vida; e, assim como qualquer outras habilidades, pode ser treinada ou desaprendida.


Existem pessoas que demonstram uma facilidade maior para aprender certas coisas, como tocar um instrumento, por exemplo. Geralmente dizem que estas pessoas possuem um dom natural para a música. Pode ser que exista sim uma influência genética para o desenvolvimento de certas habilidades, mas há de se lembrar que, caso alguém seja exposto a  um ambiente onde outras pessoas também tocam, existe também a possibilidade  dela desenvolver pré-requisitos, tais como boa habilidade de discriminação de sons e tons musicais; ou, por ter passado mais tempo observando outras pessoas fazendo acordes no instrumento, ter uma facilidade maior de aprendê-los em uma oportunidade posterior. O mesmo vale para outros pré-requisitos para a aprendizagem musical. Isto além da alta quantidade de aprovação social que ela pode receber por estar aprendendo a tocar um instrumento, o que "motiva" a continuar aprendendo.

Do mesmo modo, a habilidade de desvendar enigmas pode se desenvolver de várias maneiras, mas há um aspecto em comum em todas elas: a pessoa tenta, e obtém sucesso na tentativa ou aprovação social. O método utilizado hoje para resolver este enigma (abstração/ raciocínio lógico, registro da observação, ou qualquer outro) foi selecionado pelas suas consequências - ou seja, é um método que foi "útil", obteve algum tipo de sucesso ou aprovação no passado - e, em função disso, tem maior probabilidade de voltar a ser usado em situações posteriores.

As pessoas que não o resolveram, podem não tê-lo feito por diversos motivos; tais como:

1) não tiveram ao longo de sua vida nenhum tipo de experiência onde aquele tipo de comportamento que seria adequado para a solução do problema pode ser aprendido, ou;
2) não era "do interesse" delas resolver, pois ao longo da vida, apenas entrar na brincadeira e dizer que pode mesmo ter sido mágica gerou consequências sociais mais "apetitosas", ou;
3) tinham outras coisas mais importantes (que gerariam consequências mais proveitosas/ adaptativas) para fazer naquele momento, ou;
4) algum outro motido qualquer.

Este texto teve objetivos simples: explicar o que acontece no truque e questionar a idéia de inteligência. Aos Analistas do Comportamento, explico: ele foi escrito de maneira simplória, sem a pretensão de ser técnico, e tem como publico alvo aqueles que não estudam Análise do Comportamento. Evitei utilizar qualquer tipo de termo técnico no texto.

Você se acha esperto? Este gato é mais!

Há alguns dias eu recebí uma apresentação no PowerPoint que deu o que falar. Muitas das pessoas para as quais a enviei  ficaram perplexas, e com razão, pelo que acontecia na apresentação. Muitas me perguntaram: "como pode este gato descobrir o que estou pensando?".

Obviamente trata-se de um truque. :)
Você acha que pode explicá-lo? Tente.


Para abrir a apresentação clique na imagem abaixo e baixe o arquivo.






Este é um post interativo. Após uma semana eu irei reeditá-lo e explicar o que acontece de fato, aproveitando pra elucidar uma discussão sobre a nossa maneira de perceber as coisas.

Abraços.

Ps: as respostas dos leitores serão publicadas apenas quando o post for reeditado, para que os outros que lerem depois também possam tentar descobrir. 

 
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